Que ele saiba que, invariavelmente, pode contar comigo, nos tempos de celebração e na travessia das longas noites escuras.
É dele também a minha mão. É dele também o meu abraço. É dele também a minha escuta. É dele também o meu olhar amoroso. É dele também os meus melhores sorrisos.
Que se saiba amado muito além do de vez em quando, do por causa de, do se.
Que se sinta amado como é, não interessa com que cara a circunstância esteja. Que se sinta amado simplesmente porque é...

Ana Jácomo
Não me peça para esquecer as cores, meu coração sempre andará com as lembranças felizes.
Tendo na visão do futuro, as flores, o voo dos pássaros, um lindo céu azul com nuvens desenhando belas formas...
E talvez um mar para banhar e salgar as manhãs.
Não me peça para esquecer a imensa beleza da vida.
Apesar de tudo o que já passei, de tantos dissabores, há sempre algo que movimenta a nossa esperança...
Uma criança que nasce para ser amada e ser feliz, uma flor que desabrocha para ser contemplada por quem quiser, um menino que cresce e segue um caminho repleto de luz...

Carol Timm

Afonso

O caminho começou no dia 21 de Dezembro de 2006, o Afonso nasceu em morte aparente, ficando com lesões cerebrais, que lhe causaram paralisia cerebral. Atravessámos longos dias de hospital, dias em que a dor e a preocupação não nos abandonavam mas, desde cedo, percebemos que era um lutador e todos os dias lutamos, com ele, para chegar onde lhe for possível e quem sabe… afinal é um caminho que se faz caminhando...

terça-feira, 18 de novembro de 2008

Que neura!

Hoje, foi dia de neura. Mãe com neura, Afonsinho com neura.

De manhã, o pequeno almoço, foi bastante tranquilo e o Afonsinho comeu muito bem.

A caminho da escolinha, o choro do costume, quanto mais alto eu punha a música, mais alto ele chorava.

Que neura!

Zanguei-me com ele e quando cheguei à salinha, já lá estava a Mj, com uma amiguinha do Afonsinho ao colinho. Entreguei-o à P. e disse-lhe que hoje estava zangada com ele. Entreguei-lhe o almoço e a sobremesa e preparei-me para vir embora.

A P. saiu da sala para guardar uns casacos e começou a conversar comigo em voz baixa. Disse-me que a Mj não estimulava o Afonsinho e que não via nenhuma vantagem em estar com ele e que interferia na sala.

Disse a P. que ia marcar reunião com o Conselho Executivo do agrupamento, para tentar perceber a hierarquia, os objectivos desta equipa de intervenção precoce e o plano de intervenção.

Quando fui buscar o Afonsinho, a Mj já não estava.

O Afonsinho almoçou muito bem e estava cheio de sono.

A P. disse-me que a Mj tinha sentado o Afonsinho um bocadinho na cadeira mas que ele reagira mal e depois esteve sempre no tapete. Disse-me que ela fala com ele mas não o estimula e quem lhe esteve a ler uma história, tinha sido ela. Interferiu no trabalho da sala estando sempre a inter-agir com as outras crianças, a directora já lhe disse que tal não podia acontecer mas a P. não sabe como lhe dizer. Disse que hoje o Afonsinho estava sozinho no tapete e ela estava a brincar e a pegar ao colo outra menina.

Pedi, desculpa à P. e disse-lhe que já tinha solicitado a reunião.

Está decidido enquanto não esclarecer a posição desta equipa e em particular desta educadora, não volta a trabalhar com o Afonsinho.

4 comentários:

Mãe Sisa disse...

Realmente D.!
Costumamos ouvri "pau que nasce torto, nuca se endireita"... parece ser este o caso! Se a própria dircetora já a tinha avisado que não podia inteferir no trabalho da educadora da sala, qual era a dúvida?!? Porque não experimentar trabalhar com o Afonso sozinha? Podia ser que o trabalho corresse melhor. E que eu saiba, não é impresindível que o trabalho das educadoras da IP trabalhem na sala, perto dos outros meninos. Até porque, desta forma, as crianças que recebem o apoio podem distrair-se mais facilmente, principalemnte tendo em conta que são duas situações novas para o Afonso: a entrada no infantário (com tudo o que isso implicou, como conhecer e estabelecer laços com novas crianças e novos adultos, estabelecer novas rotinas) e o início do "apoio" educativo... ele ainda é muito pequeno e precisa de se sentir seguro, assim como os pais!
Se nós não nos sentirmos seguros e confiantes, como é que havemos de passar isso aos nossos filhos?
Que corra tudo bem nas tuas próximas reuniões!
(eu comecei a ler de cima para baixo...)
Abraço

Grilinha disse...

Estou sem palavras. Deve ser bastante desagradável até para a escola.

Espero que rapidamente possas mudar essa situação.

Um beijinho

CláudiaMG disse...

Bem "d", agora só falta mesmo a reunião para esclarecerem estes e outros assuntos pendentes.´
Acredito que a Educadora da Sala do Afonsinho não goste nada do que se está a passar, mais ainda quando nós sabemos que as relações entre Educadoras e Educadoras do EE já são dificéis.
Neste momento, acho que só te resta esperar e ter muita paciência e calma.

Beijinhos

Maria disse...

Não tenho palavras,querem prestar o apoio na escola,mas a seguir fazem tudo menos trabalhar com o menino que vão dar apoio,depois as educadoras,das escolinhas também não gostam muito das do E.E. não coprendo, uma vez que creio eu ambas são educadas para trabalharem com crianças,não devia haver rivalidade!...Beij. grandes a todos

O que é paralisia cerebral?

"A criança com Paralisia Cerebral tem uma perturbação do controlo da postura e movimento, como consequência de uma lesão cerebral que atinge o cérebro em período de desenvolvimento.
(...)A criança com Paralisia Cerebral pode ter inteligência normal ou até acima do normal."

Retirado de "A criança com paralisia cerebral" - Guia para os pais e profissionais da saúde e educação APPC
Hoje caminho, o céu está azul, o sol brilha esplendoroso, oiço o chilrear dos passarinhos e o silêncio...
O silêncio no meu coração,
Os momentos, os meus momentos felizes...
Oiço o riso das crianças, cheiro a maresia que vem do mar, caminho descalça pela areia, continuo a sonhar.
Sonho, que o teu limite é o sonho e que o teu caminho, tem tantos obstáculos, uns já vencidos e outros, tantos outros, por vencer...
Dificil, é este nosso caminho mas, sei que embora seja feito devagar, muito devagar, sei que chegaremos ao destino deste nosso caminho que se faz caminhando...

Dina

Sou uma caminhante na estrada do aprendizado do amor. Às vezes, exausta, eu paro um pouquinho. Cuido das dores. Retomo o fôlego. Depois, levanto e seduzida, enternecida pelo chamado, cheia de fé, eu prossigo. Um passo e mais outro e mais outro e mais outro, incontáveis. Sei de cor que não é fácil, mas sei também que é maravilhoso olhar para o caminho percorrido e perceber o quanto a gente já avançou, no nosso ritmo, do nossos jeito, um passo de cada vez.

Ana Jácomo
E Deus continua susurrando: Não desista, o melhor ainda está por vir...
Só existem dois dias no ano que nada pode ser feito. Um se chama ontem e o outro se chama amanhã, portanto hoje é o dia certo para amar, acreditar, fazer e principalmente viver.

Dalai Lama

O amor é um caminho que clareia, progressivamente, à medida em que o percorremos, como se cada passo nosso fizesse descortinar um pouco mais a sua luz.
A jornada é feita de dádivas e alegrias, mas também de imprevistos, embaraços, inabilidades, lições de toda espécie.
De vez em quando, tropeçamos nos trechos mais acidentados. Depois, levantamos e prosseguimos: o chamado do amor é irrecusável para a alma. Desistir dele, para ela, é como desistir de respirar.


Ana Jácomo
Quando eu deixei de olhar tão ansiosamente para o que me faltava e passei a olhar com gentileza para o que eu tinha, descobri que, de verdade, há muito mais a agradecer do que a pedir. Tanto, que às vezes, quando lembro, eu me comovo. Pelo que há, mas também por conseguir ver.

Ana Jácomo
Nem sempre querer é poder, porque às vezes a gente quer, mas ainda não pode. Ainda não consegue realizar.
Não faz mal: a vontade que é legítima, alinhada com a alma, caminha conosco, paciente, fresca, bondosa, até que a gente possa. Às vezes, isso parece muito longe, mas é só o tempo do cultivo. As flores, como algumas vontades, também desabrocham somente quando conseguem


Ana Jácomo
Depois de cada momento de fraqueza, meu coração prepara, em silêncio, uma nova fornada de coragem.
Às vezes cansa, sim, mas combinamos não desistir da força que verdadeiramente nos move.

Ana Jácomo

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