Que ele saiba que, invariavelmente, pode contar comigo, nos tempos de celebração e na travessia das longas noites escuras.
É dele também a minha mão. É dele também o meu abraço. É dele também a minha escuta. É dele também o meu olhar amoroso. É dele também os meus melhores sorrisos.
Que se saiba amado muito além do de vez em quando, do por causa de, do se.
Que se sinta amado como é, não interessa com que cara a circunstância esteja. Que se sinta amado simplesmente porque é...

Ana Jácomo
Não me peça para esquecer as cores, meu coração sempre andará com as lembranças felizes.
Tendo na visão do futuro, as flores, o voo dos pássaros, um lindo céu azul com nuvens desenhando belas formas...
E talvez um mar para banhar e salgar as manhãs.
Não me peça para esquecer a imensa beleza da vida.
Apesar de tudo o que já passei, de tantos dissabores, há sempre algo que movimenta a nossa esperança...
Uma criança que nasce para ser amada e ser feliz, uma flor que desabrocha para ser contemplada por quem quiser, um menino que cresce e segue um caminho repleto de luz...

Carol Timm

Afonso

O caminho começou no dia 21 de Dezembro de 2006, o Afonso nasceu em morte aparente, ficando com lesões cerebrais, que lhe causaram paralisia cerebral. Atravessámos longos dias de hospital, dias em que a dor e a preocupação não nos abandonavam mas, desde cedo, percebemos que era um lutador e todos os dias lutamos, com ele, para chegar onde lhe for possível e quem sabe… afinal é um caminho que se faz caminhando...

sexta-feira, 21 de março de 2014

Olá virose,

já há algum tempo que não te viamos e não tinhamos saudades nenhumas!

E após um periodo, um excelente periodo, de acalmia, eis que chegou mais uma virose!

Na 4ª feira iniciámos o dia com o Afonso a vomitar, mais um dia daqueles! Dores abdominais, febre, vómitos, tosse e muito, muito queixume. A noite correu como o dia, praticamente não dormiu.

Ontem voltou a vomitar ao pequeno almoço e ao almoço, a febre voltou a subir mas mesmo assim não esteve tão queixoso, ao fim da tarde após tomar o Actifed, acabou mesmo por adormecer e descansar um pouco.

A noite voltou a ser dificil, estamos acordados há horas e continuamos com a lamuria como som de fundo, febre alta, tosse... parece que vamos ter mais um dia daqueles!

terça-feira, 18 de março de 2014

Regresso às origens!

E após um mês em que faltámos imenso às terapias e depois de termos feito a avaliação de DMO, a luva e o fato e ter ouvido da terapeuta inglesa que não bastava usar a luva, a mão tinha que ser trabalhada, senti que tinha mesmo que tomar uma decisão e assim foi!

Após uma semana em que só fomos à acupuntura e à terapia ocupacional, sessões que correram muito bem, decidi começar a trabalhar em casa com o Afonso. O tapete voltou à nossa sala, a bola e a tábua de equilíbrio também. Para além dos exercicios de mobilização habituais, voltámos a trabalhar a posição de sentado, controlo de tronco e cabeça, com grande incidência nos braços, na extensão, na flexão e nas transferências, na colocação correta das mãos, com e sem therathogs, voltámos também à posição de esfinge, competências adquiridas e entretanto perdidas.
Na terapia cubana, voltámos às sessões dupla ao sábado e retomamos a fisioterapia e a osteopatia sacro-craniana com a Sara, a terapeuta que acompanha o Afonso desde os dois anos.

Mais uma vez  os nossos planos não se concretizaram  mas é com optimismo que retomamos as nossas "velhas" terapias.

Aguardamos resposta do colégio para iniciarmos um período experimental de terapias, que possivelmente iremos manter até ao final do ano letivo, se o cansaço do Afonso permitir e que terá continuidade em setembro com o ingresso no ensino básico.

domingo, 16 de março de 2014

Estimulação cerebral profunda

Esta consulta de Fisiatria tinha como objetivo controlar a evolução da recuperação do joelhos, o crescimento acentuado que vem apresentando e que por vezes vem acompanhado de problemas ortopédicos e também para observação dos pés.

Os joelhos estão a recuperar bem, fizemos rx e apresentam um correto alinhamento ósseo, uma boa extensão e flexão, apesar do joelho direito continuar com pouca flexão.
Mantém um bom alinhamento da coluna, das ancas, sem qualquer encurtamento ou assimetria.
Falámos na possibilidade de fazer toxina no tendão de Aquiles, por forma a proporcionar-lhe um melhor posicionamento dos pés e evitar ou pelo menos adiar a cirurgia prevista. Os tendões não se apresentam espásticos mas vão apresentando alguma hipertonia, quando entra em padrão e em especial no pé direito, que posicionalmente está na maior parte do tempo em extensão. A Drª. concordou que ele tem os critérios para a aplicação da toxina botulínica e fica a aguardar que o chamem.

Falamos imenso tempo sobre a entrada no Ensino Básico, o cuidado que devemos ter na escolha da escola,  os produtos de apoio que devemos utilizar, que devemos dar primazia ao projeto pedagógico e considerar as terapias como complemento e enquadrá-las na sala de aula e sempre que possível com os colegas. Foi muito interessante e hoje arrependo-me de o Afonso não ter sido sempre seguido por esta médica, uma vez que era seguido na Fundação Liga e só pontualmente por esta médica, não teve qualquer problema em aconselhar-nos um colégio e estava em plena sintonia com as nossas ideias, foi fantástico!

No seguimento desta conversa, falamos sobre as capacidades do Afonso, o excelente desempenho cognitivo e as dificuldades comportamentais provocadas ou que provocam o padrão distónico. Aqui a médica tem uma opinião diferente do neurologista, que pensa que com a medicação o Afonso tem melhorado imenso, e tem mas na opinião dela ele poderia fazer um implante cerebral profundo nos gânglios de base, uma cirurgia que lhe poderia permitir uma melhor qualidade de vida, uma vez que ela acredita que a melhoria do padrão lhe pode trazer autonomia.

Uma cirurgia ao cérebro é simplesmente assustadora!

Falámos em fazer uma ressonância magnética funcional. Com este exame é possível observar as áreas cerebrais responsáveis pelas funções sensoriais, motoras, da linguagem, da memória mas, pelo que eu julgo saber ainda não se faz em Portugal. 
Falámos também da importância de fazer um RM  não tanto para ver as áreas lesadas, apesar de a Draª. não ter qualquer duvida que a RM que o Afonso fez com 19 dias e da qual temos 4 linhas de relatório, está incorreta, segundo ela é impossível ele ter lesões no lobo frontal  e no parietal mas sobretudo para ver o desenvolvimento do cérebro e para confirmar que as lesões são nos gânglios basais, o que pode fazer toda a diferença no futuro, na terapêutica a utilizar.

Pedimos-lhe que se reunisse com o neurologista para estudarem o caso do Afonso, para que nos possam fornecer o maior numero de informações possíveis, para já concordámos com a possibilidade de fazer a ressonância magnética e aguardamos pela avaliação conjunta.

Começamos a ver a Ciência a evoluir e mais importante a chegar a Portugal, médicos com abertura para correr riscos na procura da melhoria da qualidade de vida dos seus pacientes, crianças, para quem o futuro, pode, afinal, vir a ser bem mais risonho, do que os pais alguma vez pensaram...

No caso especifico do Afonso, esta é, à semelhança de tantas outras, uma opção para estudar, pesquisar, ponderar, voltar a estudar, pesquisar, ponderar, uma, outra e outra vez, as vezes necessárias para tomarmos, como sempre, a melhor opção!

Contudo é uma evolução fantástica, que nos enche de alegria, de felicidade, pelo Afonso, por todos os Afonsos do Mundo, crianças, jovens, adultos, para esta problemática mas também para tantas as outras! 

sábado, 15 de março de 2014

No jardim de infância

continua tudo a correr MUITO bem!

O Afonso acorda cedinho, por volta das 7h, muito bem disposto, duchinho, vestir, tomar o pequeno almoço e chegamos à escola, pouco passa das 9h.

O Afonso fica sempre sentado na x-panda e depois de marcar a presença com a ajuda de um coleguinha, começa o movimento, musica, que ele simplesmente adora! 

É maravilhoso ver a sua alegria, o seu sorriso!

Continua a participar de forma interessada nas aprendizagens: tenta responder oralmente, dizer as poesias, cantar, cada vez se mostra mais interessado em participar com oralidade, este trabalho só vai ser (re iniciado em setembro, quando entrar no ensino básico.

Os trabalhos manuais, continua a ser o que o Afonso menos gosta de fazer mas lá vai fazendo os seus trabalhos, escrevendo o nome completo, uns dias colabora mais do que noutros!

Continua a comer muito bem, quer o lanchinho da manhã, quer ao almoço e mais importante que tudo tem melhorado imeeeenso o seu comportamento, na cadeira e no standing!

20 minutos, 25 minutos, 40 minutos, 1 hora, mais que 1 hora!!!!

Verdadeiramente FANTÁSTICO!!!

quinta-feira, 6 de março de 2014

Reflexões sobre a deficiência

Ao longo destes 7 anos, pensei, pesquisei, refleti, sonhei, mudei de ideias, fiquei deprimida, fiquei feliz, um milhão de vezes!

Já vi tudo muito negro, tive dias de dor, uma dor insuportável, que me dilacerava por dentro e fazia o meu coração sangrar, ainda hoje não sei como me consegui levantar, uma, outra e outra vez mas, não sei bem quando, num dia qualquer, acabei por aceitar a difícil situação do Afonso, o que me permitiu chegar onde estou hoje, a um sítio, onde nunca pensei chegar, ser uma pessoa que nunca pensei ser.

Neste meu caminho, nesta transformação profunda do meu ser, aprendi muito e tornei-me, em alguns aspetos, uma pessoa, ia escrever melhor mas, na realidade, não sei se sou melhor do que era, acho que sou apenas diferente, melhor em alguns aspetos e pior noutros, simplesmente acho que consegui sobreviver e quem sabe consiga, agora, começar a viver!

A reabilitação e a inclusão do Afonso sempre foram a minha primeira grande prioridade!

Ficava deprimida se faltava a uma terapia, se não cumprisse o trabalho em casa, se não fosse à escola, sentia-me culpada de tudo e de nada, questionava uma e outra vez, tudo e todos, queria perceber, queria que todos lutassem pelo meu filho como eu, que todos o aceitassem, de qualquer maneira, que cumprissem a lei, que respeitassem os seus direitos e não, não entendia, quando não o tratavam com respeito, quando o consideravam um caso difícil, pesado.

Houve muitas situações, em que infelizmente tinha toda a razão do Mundo e outras em que não tinha razão nenhuma, mas que só agora, ou muito recentemente, é que estou preparada para o aceitar, o que me leva ao momento presente e me permite um melhor e maior conhecimento de mim.

Antes do Afonso nascer era uma pessoa apaixonada pelo meu trabalho, impulsiva, que gostava de conversar, de ter amigos, de sair, de receber, de fazer festas...
Depois do Afonso, deixei de trabalhar (o que muitos acham um privilégio mas que eu não desejo a ninguém, seja porque razão for, muito menos pela minha), continuei a seu impulsiva mas agora muito mais emocional, costumo dizer que entre a normalidade e a loucura, está um fio ténue, muito ténue, tornei-me uma pessoa com humor flutuante, tão depressa estou bem, como estou mal, ainda gosto de conversar mas cada vez menos e se os meus amigos não me procurarem eu também não os procuro (que grande amiga que eu sou,), se puder evitar ir a uma festa ou fazer uma, evito, prefiro ficar em casa do que sair, gosto de estar sozinha, de ler, de me isolar e sobretudo, adoro passar o tempo com os meus filhos.

Ser mãe a tempo inteiro e eu já era uma mãe muito presente, foi o melhor que me aconteceu. Apesar de todos os desesperos porque passei, construí uma relação sólida, de amor profundo e incondicional com os meus três filhos!
Vi crescer  a Catarina e o Afonso e acompanhei a adolescência do Guilherme, sempre perto muito perto. Acompanhei a escola, os trabalhos de casas, as brincadeiras, as músicas e as bandas preferidas, as séries de televisão, os filmes, os concertos e os nossos momentos de férias (estes sim verdadeiro privilégio de quem não trabalha). Hoje sou uma mãe que também é amiga que acompanha os gostos deles e os acompanha, se tenho um espírito jovem, se acompanho as evoluções  tecnológicas, as tendências musicais, a eles o devo, uma vez que me "obrigaram" a evoluir, a estar atenta, a ser participativa nas suas vidas!

Com o Guilherme a estudar para entrar no mundo do trabalho, a Catarina no secundário é a entrada do Afonso no ensino básico, que vem abalar as minhas estruturas e pensamentos, que fui construindo ao longo dos últimos anos e é curioso como, também sem me aperceber, fui mudando, não só as atitudes como o pensamento acerca da inclusão e da escola inclusiva.

Já fui elogiada pela naturalidade com que encaro as dificuldades do Afonso, como a família encara, a disponibilidade total que os irmãos dedicam ao Afonso mas como já escrevi há algum tempo atrás se a família não aceita, se estamos sempre à espera do milagre, da exceção, que conosco correrá de forma diferente, como podem os outros aceitar?

A inclusão do Afonso foi para mim sempre motivo de muitas lutas, de muitos nervos, de muita ansiedade, de muitas lágrimas e de muitas noites sem dormir.

Hoje encaro a inclusão de forma, quase, totalmente contrária e possivelmente bastante controversa em relação ao que encarava e possivelmente ao que outros pais pensam.

Era a favor da inclusão "pura e dura" como costumava dizer: nem pensar em colocar o Afonso numa unidade de multidificiência, aliás nunca fui a favor das unidades,  o Afonso devia frequentar a escola como todos os meninos sem necessidades especiais,  deviam ser criadas estruturas  e as condições necessárias que promovessem a inclusão para que todas as crianças, independentemente da gravidade da sua situação, pudessem beneficiar do convívio com os seus pares e a reabilitação deveria continuar a ser uma das nossas prioridades.

Agora que preparamos o ingresso do Afonso no ensino básico, vejo de forma diferenciada as reflexões que tenho vindo a fazer, ao longo dos anos, especialmente ao longo dos últimos meses.

Comecei por pensar na escola pública com horário reduzido, para que o Afonso pudesse manter as terapias, pois fui logo informada que não estando na Unidade, o Afonso não tinha prioridade nem apoios.

O que é uma Unidade?
Em teoria uma sala de apoio com professora de ensino especial, com duas assistentes operacionais e um equipa de terapeutas que deverão apoiar as crianças durante o horário escolar, na sala de aula e na unidade.

O que eu conheço e do que tenho ouvido falar as crianças com situações mais graves, normalmente crianças com dificuldades motoras e cognitivas, são as crianças que são colocadas na unidade e raramente ou nunca vão à sala de aula. Conheço casos em que o adiamento não foi concedido e as crianças transitaram para o 1º ano, o que não entendo uma vez que, na minha opinião, beneficiariam muito mais em conviver com 19 colegas na sala do que com 5, porque o trabalho a desenvolver será trabalho de jardim de infância.

Estas crianças, a ser verdade, que estão assim tão afectadas a nível das capacidades de aprendizagem, não estariam melhor numa escola mais direcionada para a sua problemática?
(e que em Portugal deixaram praticamente de existir?)
E as crianças que não tem problemas motores mas tem problemas de aprendizagem ou que tem problemas motores e não tem problemas de aprendizagem não deveriam ter o apoio da unidade?

Depois de conhecer dois projeto de escolas inclusivas e de ouvir, num deles, que só aceitavam crianças com necessidade especiais se tivessem as condições necessárias, dei por mim a perguntar também no outro se tinham condições para aceitar o Afonso. Pergunta que nunca me imaginei a fazer, nem me imaginei a ouvir, sem ter vontade de sair porta fora e nunca mais voltar!

Contudo a grande verdade é que não quero o Afonso numa escola onde não o querem ou que não tem as condições necessárias para o aceitar.
Quero o Afonso incluído mas não a qualquer custo, só porque ele tem direito ou porque não quero que seja discriminado, quero que frequente uma escola onde sabem que lhe podem dar o acompanhamento necessário, onde ele se sinta motivado e contrariamente ao que eu pensava, onde o ensino seja a prioridade e as terapias complemento.

Quero que seja criança, que nós sejamos família, quero chegar a casa ao fim da tarde, sem trabalhos de casa para fazer, sem ter que ir ainda para as terapias, quero fins de semanas com passeios, cinema, visitas a museus ou simplesmente em casa sem fazer nada.

A dita normalidade existe, porque a maioria de nós, felizmente, não tem dificuldades que nos impeçam de sermos autónomos mas ser dependente não tem que  necessariamente nos retirar essa normalidade, cabe a nós, pais, aceitar a diferença, a deficiência, as limitações e as reais capacidades dos nossos filhos e mesmo que nunca venham a atingir tudo o que lhes desejamos, temos que ter a capacidade de os amar de forma incondicional e de lhes proporcionar tudo o que os faça felizes, porque se eles forem felizes, nos também somos!

domingo, 2 de março de 2014

Operação ensino basico

Esta semana o Afonso não foi ao JI na 4a e na 6 a feira, nos restantes dias foi e correu tudo muito bem.

Continuamos a ter um menino tranquilo, risonho e que vai participando de forma activa nas atividades da sala, que se alimenta bem, que vai para a escola feliz!

Cumprimos todas as terapias. Na 2a e na 5a feira, a terapeuta ocupacional de um dos colégios acompanhou o Afonso na terapia ocupacional e na fisioterapia e na  4a feira foi dia de nos deslocarmos ao outro colégio.

O objetivo destas reuniões foi conhecerem o Afonso, as suas necessidades educativas e terapêuticas. Falamos sobre as suas dificuldades (a nível motor) e as suas capacidades (a nível cognitivo), os produtos de apoio que utilizava  e as respostas, educativas e terapêuticas, que esperamos dos colégios.

Ambos são colégios inclusivos, com projetos, um dele com um excelente projeto, para crianças com e sem necessidades especiais. Nós sabemos bem o que queremos e pensamos que vamos conseguir o que pretendemos em qualquer um dos colégios.

Um dos colégios já funciona há muitos anos e está bem estruturado e em pleno funcionamento, o outro é recente, está no seu primeiro ano letivo e ainda está na fase de ajustamento mas é um projeto bem mais ambicioso!
Este colégio tem um projeto pedagógico e terapêutico que se enquadra no nosso projeto, uma vez que inclui terapias convencionais e alternativas e assim aguardamos que nos proponham um plano de terapias para o Afonso fazer, se possível, ainda durante o mês de março. Pretendemos que esta experiência nos mostre mais sobre o colégio e nos permita fazer a melhor escolha.

O outro colégio, só recebe os meninos se tiver capacidade de resposta para as suas necessidades  e aguardamos que nos informem se o Afonso cumpre os requisitos necessários para ser aceite e que requisitos são esses!

O nosso fim de semana, foi de terapia cubana que correu muito bem, esta semana já notamos algumas melhorias no Afonso, especialmente nos membros superiores.

Esta semana numa das muitas conversas, ouvimos uma opinião muito interessante, que o Afonso apresentava maiores dificuldades para se sentar, devido ao enorme crescimento que teve nos últimos meses o que lhe provocava maior descordenação.

A grande verdade é que ao longo dos anos o Afonso tem apresentado avanço e recuos, recuos estes sempre ligados às alterações de tónus e realmente este argumento pode, neste contexto, fazer algum sentido!

Uma semana interessante, que me fez  avivar muitas memórias, que me provocou, ainda mais, insónias e me fez perceber com mudei ao longo destes 7 anos, reflexões para outro post ...

domingo, 23 de fevereiro de 2014

Música e movimento...

Mais uma semana excelente no jardim de infância.

O Afonso acorda cedo e bem disposto, percebemos, esta semana, que tem perfeita noção das horas: sabe ver as horas no relógio, sabe quanto tempo demoramos até ao JI, se vamos chegar a horas ou atrasados e age conforme, ou seja, calmo e tranquilo se vamos chegar a horas, com birra a mostrar o seu desagrado se vamos chegar atrasados e chegar atrasados significa depois das 9h15, hora em que começa a primeira dinâmica da manhã, nesta fase, movimento com música, que escusado será dizer, o Afonso adora!

Ao longo da semana, foi fazendo os trabalhos sentado na cadeira ou no standing. Aqui não há novidades, tudo o que é aprendizagens ele adora e tudo o que implica trabalho de mãos, ele mostra alguma relutância mas realizou todos os trabalhos a par com os seus colegas.

Esta semana levou um livro de poesias e o irmão fez um cd com músicas, ou seja, tudo o que ele mais gosta. Sentiu-se feliz, pois os amiguinhos adoraram o cd e ele adora poesia.

A alimentação correu muito bem e continua a fazer evoluções, comendo no standing e na cadeira.

Em relação às terapias foi uma semana com pouco trabalho desenvolvido mas conseguimos, finalmente, fazer a avaliação na piscina e começamos no inicio de março.

Continuamos com a nossa operação "ensino básico" e fomos conhecer outro colégio. Fomos muito bem recebidos e gostamos imenso.

Entramos agora na fase de avaliação pedagógica e terapêutica o que significa que a partir da próxima semana vão conhecer e avaliar o Afonso, para nos apresentarem um plano pedagógico adaptado às suas necessidades e nos informarem se o colégio reúne as condições necessárias para ele.

Não sabemos qual dos colégios vamos escolher, também nós vamos avaliar a equipa de terapeutas e os projetos que nos apresentarem mas ficamos já com a certeza que o Afonso não irá frequentar a escola pública e o seu futuro escolar passará por um destes colégios.

Neste caso ter que tomar decisões, vai ser positivo, pela primeira vez encontramos dois projetos de escola inclusiva que reúnem tudo o que sempre desejamos para o Afonso!

No sábado, mais um tratamento de acupuntura com o Afonso a portar-se muito bem e a estar com as agulhas o tempo necessário.


domingo, 16 de fevereiro de 2014

Novidades, novidades e mais novidades!

A primeira novidade surgiu, logo, na segunda-feira pela manhã, a educadora do Afonso está doente e a sala será acompanhada pela educadora de outra sala, ou seja, uma educadora para duas salas!

O meu primeiro instinto foi trazer o Afonso de volta para casa, situação que coloquei de imediato à educadora, que também de imediato me respondeu que o jardim de infância tinha que dar resposta a esta situação, mas depois pensei que se todas as crianças lá estavam, também ele tinha o direito de ficar e ficou! 

Foi uma semana maravilhosa, com o Afonso a acordar cedo, com uma ansiedade enorme para ir para a escola. Como tem que tomar os três medicamentos de manhã, já percebemos que é o conjunto dos três (controlo da distonia, controlo da ansiedade e estabilizador do humor) que está a permitir as melhorias que vem apresentando e precisam de tempo para fazer efeito, ele está despachado por volta das 8h mas o jardim de infância só abre as 9h e durante esta hora fica simplesmente insuportável.

No jardim de infância, tem estado muito bem, de tal forma que na 6a feira ficou até às 15h, a primeira vez desde que o ano letivo começou. Tem feito standing, cada vez por períodos maiores e lá vai estando sentado na cadeira por alguns períodos.

Começamos agora a dar os primeiros passos na alimentação com o Afonso sentado na cadeira ou em pé no standing e os resultados tem sido muito positivos, demonstrando capacidade para comer nas duas posições com facilidade.

Esta semana também conseguiu ir a todas as terapias, exceto na 6a feira em que foi vencido pelo cansaço mas que compensou com a terapia cubana no fim de semana.
Continua a desenvolver um trabalho bom e muito variado na fisioterapia (esta semana fez passadeira pela primeira vez) e esteve muito bem na terapia ocupacional. Contudo não vejo grandes melhorias, o joelho direito continua a apresentar pouca flexão e não consegue recuperar as competências que já tinha, está bastante pior nos braços, na força, no posicionamento, quer para se sentar, quer na posição de barriga para baixo. 

Continuamos a lutar contra o cansaço (cumprimos o JI e as terapias mas adormeceu sempre por volta das 18h, na maioria dos dias sem jantar). Por vezes sinto-me impotente e frustrada,  a intermitência nas terapias não permite que desenvolva um trabalho continuado, diário e obviamente bastante mais eficaz mas fazemos o que conseguimos, o nosso melhor neste momento e não fazer nada e descansar também é terapêutico!

No fim de semana conseguimos voltar aos Dafos e também ao uso dos óculos durante bastante tempo, com o Afonso a mostrar-se confortável com eles, apesar de dizer que vê melhor sem os óculos.

Iniciamos também está semana a "Operação Ensino Básico". Já escolhemos quatro escolas públicas e dois colégios.

Está semana tivemos a primeira entrevista, num dos colégios e na próxima semana iremos conhecer o outro.
O colégio que visitamos tem boas instalações, não fiquei deslumbrada, aliás acho que fiquei foi assustada, só de imaginar o Afonso num colégio tão grande (estou tão habituada ao aconchego do jardim de infância) e de repente parece que se tornou realidade, sim, em setembro começa primeiro ano! 
Já o projeto curricular e terapêutico do colégio é simplesmente fabuloso! O sonho de qualquer mãe, o projeto que sempre sonhamos para o Afonso!

Penso que na nossa primeira tentativa, encontramos o colégio que o Afonso irá frequentar, contudo vamos cumprir os nossos planos e conhecer as restantes opções, para que seja uma decisão consciente e devidamente ponderada.

Conseguimos, no domingo, depois da terapia, aproveitar o sol da manhã e ir com o Afonso ao parque. O parque que tem muitos espaços com relva, ainda estava bastante molhado mas o Afonso ainda andou no escorrega e fez rapel com o pai e comeu o seu lanchinho da manhã. Apesar de ter estado pouco tempo no parque, depois de um inverno tão rigoroso, foi para ele uma enorme alegria, poder aproveitar este espaço tão agradável.





Esta semana compramos um novo assento para a cadeira x-panda, o tamanho 2, uma vez que o Afonso tem crescido imenso e o encosto da cadeira já está pequeno, bem como a largura do assento. 
Os investimentos nunca param, a necessidade de produtos de apoio é constante, felizmente que tenho a mãe "mestre" dos produtos de apoio como uma das minhas grandes amigas e com a sua preciosa ajuda e em conjunto conseguimos comprar a cadeira por um preço aceitável.

Quem não tem filhos com necessidades especiais não tem, nem tem que ter, a mínima noção do dinheiro e dos sacrifícios que temos que fazer para promover a reabilitação dos nossos filhos mas felizmente que algumas mães, partilham os seus conhecimentos, disponibilizam a sua ajuda, desejam para as outras crianças o mesmo que desejam para o seu filho, fazem parte do nosso dia a dia, são mais do que amigas, são verdadeira família.

O novo standing do Afonso também já vem a caminho, bem como um novo encosto de cabeça fantástico. O objetivo é que seja utilizado na sala de aula, no ensino básico, mas vai começar a ser utilizado ainda no jardim de infância. Esperamos que com este novo produto de apoio, as novas conquistas e evoluções que o Afonso vem fazendo, deixem de estar "em aquisição" e passem definitivamente para "adquiridas"!

Depois de uma semana a ouvir ameaças sobre bandoletes e ganchos, no sábado o Afonso foi mesmo cortar o cabelo. Também aqui temos a nossa cabeleireira favorita, mais uma grande amiga e se dantes era complicado cortar-lhe o cabelo (apesar de ela achar que não), desta vez o Afonso portou-se de forma irrepreensível e deixou cortar o cabelo rapidamente.

Grandes e boas novidades, o nosso menino está cada vez mais crescido, os nossos amigos, a nossa família, os nossos técnicos (educadoras, auxiliares, terapeutas, médicos) estão sempre presentes e disponíveis e nós estamos cada vez mais agradecidos pela sua presença na nossa vida e especialmente na vida do Afonso!

Vocês fazem realmente a diferença, continuem, sempre, por aí caminhando conosco, neste caminho que se faz caminhando...

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Mais uma virose!

Depois de uma semana maravilhosa no jardim de infância, com progressos impressionantes e (como sempre) inesperados, na 6a feira o Afonso teve uma manhã difícil e tive que o ir buscar  ainda antes do almoço.

Secreções, vómitos, febre, dores abdominais e  muitas queixas, falta de apetite, noites mal dormidas e hoje, finalmente, já começou a melhorar.

A semana passada não fomos às terapias, desta vez porque foi a vez da mãe ficar de cama com dores insuportáveis e incapacitantes! Decidi fazer uma coleção de tendinites: no pescoço, no ombro, no braço...
Assim as próximas semanas vão ser de fisioterapia de manhã, para a mãe, e de terapias para o Afonso, de tarde.

Ainda não saímos de casa esta semana, faltamos à terapia cubana do fim de semana, à fisioterapia e  à terapia ocupacional e era  suposto iniciarmos a piscina amanhã mas parece que não vai ser possível e vamos ter que aguardar mais uns dias.

Este inverno, tão rigoroso, não está a ser nada fácil

segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

Incertezas...

Mais uma semana em que não conseguimos cumprir os nossos objectivos!

Após um fim de semana com sessões de terapia cubana, na 2a feira, tivemos fisioterapia e terapia ocupacional, que correram muito bem com o Afonso a desenvolver um excelente trabalho e pronto foi tudo!

O Afonso passou mal a noite de 2a feira, ficou completamente congestionado e com muita tosse e desde de 3a feira que estamos em casa, sem jardim de infância e sem terapias. Entretanto recuperou mas por precaução ficou o resto da em semana em casa, onde fomos desenvolvendo o nosso trabalho caseiro.

Esta semana parece que vamos ter mais do mesmo! 
Eu estou com uma contratura no pescoço desde 6a feira (com injeções, anti-inflamatórios e relaxantes musculares), que me impede de conduzir e especialmente de pegar no Afonso ao colo e esta semana continua a ser considerada como um pico de gripe, motivos pelos quais devemos continuar em casa.

O nosso ano foi programado na expectativa que o Afonso conseguisse voltar ao ritmo que tinha antes de ser submetido às cirurgias, entretanto já tínhamos chegado à conclusão que teríamos que ir devagarinho. Os acontecimentos desta ultima semana criaram novamente mais incertezas...

Não temos qualquer dúvida sobre a importância do jardim de infância na vida e no desenvolvimento do Afonso, é pela escola e pela sua educação que passa todo o seu futuro e o Afonso não pode continuar a faltar sistematicamente ao JI, até porque a entrada no Ensino Básico se aproxima rapidamente.

As dúvidas em relação às terapias surgiu esta semana, uma vez que o Afonso tem faltado tanto, se não era benéfico fazer a fisioterapia em casa. Como em tudo, temos vantagens e desvantagens: gostamos imenso da terapeuta que está a trabalhar com o Afonso e que tem desenvolvido um ótimo trabalho e a Clínica tem excelentes equipamentos, equipamentos que não temos em casa, em relação à terapeuta que pode trabalhar com ele em casa, a Sara, também gostamos imenso dela e trabalha com o Afonso há anos, como osteopata e fisioterapeuta. Em casa poupamos cerca de uma hora, das deslocações, que lhe permite descansar, se estiver a dormir é fácil acordá-lo dez minutos antes, incertezas...

Contudo, não temos incertezas (por muito que me custe admitir) sobre o número de horas de terapia diária que o Afonso deve ter e após esta semana, sabemos que nesta fase teremos mesmo que optar por uma terapia diária e tentar cumpri-la, não serve de nada ter terapias marcadas se não as cumprimos minimamente.

Em fevereiro iremos iniciar a piscina e as sessões para avaliação comportamental, vamos manter a terapia ocupacional, a acupuntura, a terapia cubana mas vamos reduzir as sessões de fisioterapia, resta agora decidir se continuamos onde estamos ou se fazemos uma pausa e fazemos a fisioterapia em casa...

Custa-me, muito, ter que tomar esta decisão de reduzir as terapias mas tenho que ser realista! Ainda esta semana um futebolista fez uma ruptura do ligamento interno como o Afonso e vai ter uma paragem de 6 meses, como pode uma criança com a patologia que o Afonso tem,  recuperar de três   cirurgias e retomar o ritmo de trabalho, super exigente, que tinha? Começou a recuperação em setembro e tem faltado imenso!

Incertezas! Ter que estar sempre a tomar decisões sem saber o que é o melhor! Sem dúvida que este é o maior desafio com que nos deparamos, constantemente, ao longo destes sete anos!


domingo, 19 de janeiro de 2014

Encontrar o equilibrio...

As duas primeiras semanas foram de muito descanso e pouco trabalho. O Afonso praticamente ainda não foi ao jardim de infância, nos 3 dias que foi, correu tudo bem.

Iniciamos a fisioterapia, a terapia da fala e fomos à terapia ocupacional mas só nesta 5ª feira, aliás foi o único dia em que cumprimos, jardim de infância e terapias.
O Afonso continua com muito sono! Ou acorda muito tarde de manhã e já não vai ao JI ou adormece depois do almoço e já não vai às terapias da tarde.

Na primeira parte do ano, ou seja, até junho, a prioridade vai ser conseguir o equilíbrio. Temos que conseguir proporcionar-lhe as terapias necessárias, a frequência do jardim de infância e os períodos de férias e descanso que tanto precisa.
Assim decidimos alterar o plano de terapias. Mantemos a fisioterapia 4x semana, a terapia cubana e a acupuntura e reduzimos a terapia ocupacional para 1x semana e cancelámos a hipoterapia, esperamos iniciar a hidroterapia no mês de fevereiro 2x semana mas ainda aguardamos a confirmação dos horários.

Ainda não conseguimos iniciar a terapia da fala para a comunicação aumentativa no computador mas na escola não temos criadas as condições necessárias, devido à falta de assiduidade e estamos a estudar a aquisição de um novo produto de apoio que lhe irá proporcionar um melhor posicionamento e alinhamento do tronco e da cabeça, condições essenciais para a correta utilização do computador.

Estamos também muito atentos ao comportamento e vamos iniciar um estudo sobre os problemas comportamentais que o Afonso apresenta.

Tivemos consulta de nutrição e o Afonso continua muito bem. Pesa agora 15 Kg e mede 113 cm, mantém a alimentação hipercalórica e hiperproteica com suplementação, voltamos em junho para nova consulta.

O importante, nesta fase, é mesmo o equilíbrio, depois de meses muito difíceis, temos que dar ao Afonso o tempo necessário para a sua recuperação, um dia de cada vez, ao seu ritmo, sem qualquer tipo de pressão...


quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

Ano novo...

Após um ano de 2013 verdadeiramente atípico, iniciamos este novo ano verdadeiramente preparados para o "novo!"

Um novo ano que representa, mais um grande momento de viragem na nossa vida! 

Desejamos que a vida nos continue a sorrir e que o grande motivo desses sorrisos seja a presença das pessoas maravilhosas que caminham conosco!

Que o vosso sucesso, seja o nosso sucesso, que a vossa alegria seja a nossa alegria, que o vosso amor seja o nosso amor, que a vossa amizade seja a nossa amizade...

O nosso caminho é o vosso caminho, o vosso caminho é o nosso, e assim caminhamos de mãos dadas, braços apertados e corações entrelaçados...

quarta-feira, 25 de dezembro de 2013

Natal mágico...








Aniversário na Disney em Paris

Pote partido e lá fomos nós para Paris, para cinco dias de magia...

O Afonso adorou!!!

Está tão crescido e portou-se à altura dos seus recentes 7 anos.

As viagens de avião correram muito bem, o Afonso foi sentadinho, tranquilo e bem disposto, sem ser necessário qualquer cuidado especial (solicitamos o apoio que a TAP disponibiliza e fomos acompanhados por um funcionário, com direito a transporte só para nós, nem queríamos acreditar mas tudo funcionou na perfeição!)


O sétimo aniversário foi simplesmente maravilhoso!

Um dia incrível que ficará para sempre na nossa memória!


Na Disney, foi tratado como um menino especial mas ao contrário do que acontece em Portugal, ter necessidades especiais significa ter tratamento especial e adequado às suas necessidades. Assim foi possível andar em todas as diversões (de acordo com a sua altura), sem ter que esperar em filas, foi tratado com um enorme respeito, um carinho impressionante.

A diversão favorita foi o Big Thunder Mountain, uma montanha russa bastante radical e em que ele delirou mas também gostou do Pirata das Caraíbas, do Dumbo, do Aladim... só o carrocel do Lancelot e o passeio de barco não o deixaram muito animado (muito parado para quem adora coisas radicais).



Andou sempre sentado na x-panda (yupiiiii!) mas também teve direito a cavalitas, comeu sempre muito bem. Não sentimos qualquer problema pelo facto de termos alterado as rotinas todas.

Os presentes foram todos escolhidos por ele: uma espada e um chapéu de pirata, a pistola do Buzz Lightyear, o sr. Batata, construído por ele, um punhal do Peter Pan... O que nos emocionou, foi o facto dos presentes se adequarem aos seus 7 anos!



Foram dias fantásticos, adoramos a experiência, vivemos dias mágicos e muito felizes...

quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

Crises de irritabilidade

Desde que foi operado pela segunda vez, que o Afonso vem apresentando uma irritabilidade fora do habitual e que se transformam em crises: aumento de temperatura, placa branca na língua, lábios muito vermelhos, acompanhados de uma transpiração que o deixa completamente encharcado. Estas crises só se revolvem com a toma do Rivotril, de tal forma, que já me perguntei como seria se não tivesse o medicamento.

Na 2a feira, teve uma crise brutal, de manhã. Dei-lhe duas gotas de Rivotril mas em vez de se acalmar ficou cada vez mais agitado: faz hiperextensão porque está irritado, fica irritado porque faz hiperextensão, entrando aqui num círculo que não tem fim.
O tempo foi passando e o Afonso não se acalmava, muito vermelho, completamente encharcado e quando lhe fui medir a temperatura estava com 41 graus, dei-lhe mais duas gotas e comecei o arrefecimento. A crise durou mais de 2 horas e a febre começou a ceder com o arrefecimento e ao fim de duas horas já tinha normalizado a temperatura corporal, exausto acabou por adormecer e dormiu durante cinco horas.

Durante esta crise de irritabilidade esteve sempre desperto e consciente e quando se começou a acalmar perguntei-lhe se tinha dores, se tinha ouvido vozes, cheiros diferentes... respondeu-me que não, e quando lhe perguntei se estava irritado, se sentia raiva, disse-me um veemente "sim"!

Preocupados ligamos para o neurologista,  que nos disse que os sintomas estavam todos trocados, são as temperaturas altas que provocam problemas neurológicos, e não os problemas neurológicos que provocam alterações térmicas. Nós já sabemos como o Afonso é diferente e também sabemos que ele tem alterações térmicas devido aos problemas neurológicos.
O médico pediu-nos para lhe enviarmos os vídeos que fizemos para tentar perceber o que se passa e que desencadeia estas crises.

Entretanto, fui verificar o meu diário ou seja o blogue e constatei que o Afonso só tem estas crises desde que toma o Rivotril.
Começou a tomar em 10 de abril, parou passado uma semana e pouco, porque criou dependência, nesta altura, já se notava a irritabilidade ao fim do dia, mas depois da cirurgia, fomos dando em SOS. Voltamos a introduzi-lo a conselho do Dr. Pedro Choy, uma semana por mês e durante dois meses o Afonso foi melhorando o comportamento na cadeira e não teve crises. Com a entrada no Jardim de Infância em outubro, começamos a dar-lhe o medicamento, nos dias que não vai e ao fim de semana não damos.
A crise que teve na semana passada, foi após 4 dias sem tomar o medicamento, o mesmo sucedeu com esta crise. Será que é síndrome de abstinência?

Na 3a feira, apesar de ter ficado em casa dei-lhe o medicamento e o dia correu bem, apesar de estar muito amarelinho, mal encarado e mais paradinho do que é costume, estava bem disposto e comeu bastante bem. Enquanto o médico não nos contactar vou lhe dar o medicamento todos os dias, e assim avalio o comportamento com o medicamento diário.

Hoje, ainda não fomos às terapias e agora entramos de férias e só regressamos dia 2 de janeiro.
O Afonso continua a dormir bastante durante o dia mas está mais bem encaradito e comeu bastante bem, continuamos com o Daktarin  para a boca, que já está menos inflamada.



sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

Novamente doentinho...

Este inverno promete ser fértil em constipações, após dez meses em casa, sem contato com "vírus" e sem praia, estamos umas verdadeiras flores de estufa!

O Afonso começou a ficar com expectoração na semana passada e na 4a feira, ficou em casa por precaução e não foi ao jardim de infância nem às terapias. No fim de semana começaram os vómitos (limpeza geral) que se prolongaram até 2a feira. Na 3a feira regressou ao jardim de infância e na 4a tive que o ir buscar, pois começou a fazer febre.
Ontem e hoje, fomos à fisioterapia mas ele está muito apático e pouco participativo e não fomos as terapias de tarde, nem ao jardim de infância.

Hoje de tarde já esteve melhor mas,  os restantes membros da família, exceto o pai, estão todos sentadinhos no sofá, enrolados numa manta e com um número incontável de lenços de papel já gastos...


domingo, 8 de dezembro de 2013

O Natal é quando uma família quiser...

O ano passado tivemos o "Natal Cigano" que durou quatro dias, este ano (por excelentes motivos), o nosso natal vai decorrer ao longo do mês de dezembro...

Como sempre acontece o nosso espírito natalício começa bem cedo, no inicio de novembro, quando fazemos a árvore de Natal e decoramos a casa, de seguida chegam os chocolates e as fantasias de chocolate para colocar na árvore de Natal, no fim de semana passado chegaram os presentes e ontem foi dia do lanche de Natal que se transformou num almoço, jantar e ceia...

Foi um dia muito bem passado!
Pessoas importantes na nossa vida, verdadeiros amigos, aqueles que estão conosco todos os dias e aqueles que estão sempre presentes mesmo quando não o estão, amigos que são família, família que são amigos, preferimos dizer pessoas que amamos e que nos amam!

Aqui reinam o amor, o carinho, a amizade, a disponibilidade e a partilha.



Hoje trocamos os primeiros presentes, momentos de grande alegria, ficaram todos felizes com os presentes que receberam!

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

Terapia da Fala

Por aqui continua tudo a correr bem.

Iniciamos o nosso dia com sessões de fisioterapia e depois seguimos para o jardim de infância. O Afonso vem apresentando melhorias na recuperação dos joelhos e no JI tem evoluído, especialmente na motricidade fina e agora já gosta de pintar. Continua a aceitar a cadeira, tem dias melhores e outros nem por isso e já fica no standing por longos períodos sem queixas.

De tarde mantemos a terapia ocupacional e a hipoterapia e no sábado mais um tratamento de acunputura

Ontem fizemos avaliação de terapia da fala. Explicamos à terapeuta os nossos objetivos: respiração, pontualmente trabalho oro/facial, soprar, beber por uma palhinha, no fundo trabalhar os músculos necessários à produção de palavras.A oralidade é o nosso único objetivo, uma vez que todas as outras competências estão adquiridas e temos terapia da fala, apesar de ainda não termos iniciado, para a comunicação aumentativa. 

Ouvimos falar de conceitos novos, é sempre muito bom quando ouvimos coisas novas, quando encontramos técnicos que aceitam o desafio, que não desistem sem sequer tentar, que acreditam que com muito trabalho é possível.

Assim, vamos iniciar a terapia da fala na Love4kids - Estimulação e Desenvolvimento Infantil  inicialmente uma vez por semana se tudo correr bem, ou seja, se o senhor Afonso colaborar, avançaremos depois para as duas sessões semanais.

Mais uma terapia no nosso plano de trabalho semanal, agora já só falta iniciar a hidroterapia.


domingo, 24 de novembro de 2013

Regresso ao trabalho!

Na quinta-feira regressámos ao trabalho, iniciamos o dia com mais uma sessão de fisioterapia, seguida de hidromassagem e massagem. De tarde tempo para os dafos, a oclusão e o descanso.

Na sexta-feira, após mais uma sessão fantástica de fisioterapia, onde para além dos exercícios "mais" habituais, esteve também na bicicleta/pedaleira, seguimos para o jardim de infância, onde o Afonso esteve muito bem, hoje pela primeira vez, neste ano letivo, esteve sentado sozinho, no tapete, com o apoio dos amigos, que estão sempre disponíveis para o ajudar.

Do jardim de infância seguimos para a hipoterapia. A sessão, feita dentro do picadeiro, devido à chuva e ao frio, correu razoavelmente bem, tem vindo a evoluir e a melhorar o comportamento de sessão para sessão.

Depois da hipoterapia, hidromassagem e massagem, estava tão cansado que adormeceu na banheira!

Lanchou muito bem e por volta das seis adormeceu e só acordou no outro dia de manhã, pronto para mais um dia de terapias.

No fim de semana teve sessões de terapia cubana, que correram bastante bem, passámos ainda, ontem, pelo cabeleireiro para cortar a franja, passamos a semana a ouvir as terapeutas a dizer que lhe iam por uns ganchinhos ou uma bandolete.
De tarde, hidromassagem e massagem, oclusão, brincadeira e descanso.

Estivemos a montar uma barra e espelhos numa parede, para que o Afonso treine a posição de pé sozinho. Calçamos-lhe as talas com os ténis mas a reação foi péssima, não queria ficar em pé e teve imensas dores, nem conseguimos filmar. Amanhã voltamos a tentar!


E acabou uma semana de trabalho intenso!

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

A caminho de Madrid...

O nosso dia começou bem cedo, eram 4h da manhã e já estávamos a acordar...

Fizemos o check in e com o Afonso, bem disposto e tranquilo, aguardamos pelo embarque. Esta foi a primeira vez que o Afonso andou de avião e estava excitadissimo, uma excitação boa sem qualquer irritabilidade ou alteração comportamental à mistura.

Esta viagem a Madrid teve como objetivo a avaliação do therathogs e dos Dafos.

O Dr. Francesc gostou imenso de ver o Afonso e referiu a sua melhoria em relação ao padrão de hiperextenção.

O Afonso vai agora usar Dafos 3, personalizados uma vez que as correções a fazer em cada pé são distintas, um pé é valgo e outro vago, um pé assenta no lado de fora da planta do pé e o outro na parte de dentro do pé e também porque é necessário colocar o pé a 90 graus, para que assente de forma correta, com o calcanhar como apoio e não a ponta do pé. Estas talas/órteses são extremamente agressivas, uma vez que criam pontos de pressão dos ossos com a tala e a adaptação vai ter que ser feita de forma gradual, inicialmente no standing, carga estática e só depois poderá fazer carga dinâmica.

O therathogs também foi alterado, o que usa neste momento está gasto e não pode ser usado, temos ainda outro, um tamanho maior, que vai ser cortado e ajustado para substituir este. Este novo protocolo é para ser usado durante um mês, promove a rotação externa das pernas e joelhos e a estabilidade da zona pélvica e depois teremos que acrescentar um extensor em forma de X, na parte da frente com o objetivo de promover a flexão contrariando o padrão de hiperextensão. Temos que filmar e enviar a informação e daqui a 6 meses terá que fazer nova avaliação.


Em Portugal, apesar das evoluções dos últimos anos, continuamos a nível dos produtos de apoio bastante longe, especificamente neste caso, da qualidade existente noutros países!

Foram dois dias intensos em que o Afonso se portou de forma fantástica! 
Andou de avião, num carro que não era o dele, fez as refeições fora de casa, dormiu num hotel, noutra cama, ouviu falar outra língua, tudo para ele foi encarado com a maior naturalidade, com a curiosidade e a excitação própria de quem tem 6 anos, uma delicia!


Viva, Viva, Viva !!!




domingo, 17 de novembro de 2013

Semana após semana...

... continuamos a desenvolver o nosso trabalho.

Após uma semana doentinho, felizmente uma doença ligeira,  no dia 28 de outubro,  regressámos às terapias e ao jardim de infância.

O jardim de infância continua a correr muito bem. O Afonso continua a preferir o trabalho em grande grupo do que o trabalho individual, contudo, agora que tem o standing na escolinha,  já vai colaborando mais.
Quando chega à sala, senta-se na cadeira, faz a marcação de presença e participa no acolhimento: dia, data, o tempo, na contagem, identificam os meninas e as meninas que ficaram em casa, tudo com o computador, através do acesso com o olhar ou com o écran tátil. Participa em todas as dinâmicas de sala, um dia destes esteve a fazer exercício físico, marchou com os amigos, com ajuda, trabalha-se assim, a brincar, a posição em pé e o "treino de marcha", senta-se no tapete para ouvir uma história, uma poesia, cantar, falarem do dia a dia.
A alimentação, quer no lanche da manhã, quer no almoço, corre normalmente bem, tem comido menos bem nos dias em que é peixe, está mesmo a crescer...
Depois do almoço vão para o recreio e aqui utiliza a cadeira, o standing e por vezes também fica sentado no tapete, agora que o frio e a chuva chegaram, começam a ficar na sala e é aí que brincam, às 13h vou buscá-lo e seguimos para as terapias da tarde.

Agora estamos sem piscina, decidimos voltar ao Solinca, o que só acontecerá em janeiro, porque queremos voltar a trabalhar com a antiga terapeuta do Afonso. Compensamos o trabalho dentro de água com hidromassagem e massagens diárias, apenas desenvolvemos uma parte do trabalho, relaxamento e alongamentos mas o Afonso não se estava a adaptar à piscina, a água nunca estava na temperatura desejada ao fim de 10/15 minutos já estava com frio, acabávamos por utilizar essencialmente a jacuzzi e conseguimos o fazer esse trabalho em casa.

Na fisioterapia, continua a desenvolver um trabalho muito positivo, um trabalho muito diversificado, uma vez que na Love4Kids, existem uma enorme variedade de equipamentos, o que lhe proporciona experiências diferentes todos os dias, o que para ele é uma enorme mais valia. Faz mobilização, fica em pé agarrado por elásticos, agarra-se com as mãos, faz saltos em suspensão e a Marta consegue que vá fazendo flexão dos joelhos, anda na elíptica, no cavalo mecânico, joga à bola, anda de bicicleta, senta-se na cadeira, no shake...


Temos ido muito pouco à Liga mas quando conseguimos ir, continua a desenvolver um trabalho positivo na terapia ocupacional.
A hipoterapia está a correr melhor, ainda apresenta alguma hiperextensão mas no fim da sessão está com um tónus excelente, foram dois anos de ausência, a fisioterapeuta com que trabalhava não vai estar durante este ano letivo e está por isso a adaptar-se a conhecer uma nova terapeuta, temos que ir com calma e paciência.

Continuamos com o nosso trabalho caseiro, até porque a Marta está sempre a mandar-nos tpc's -carga dinâmica, jogar à bola, sentar no chão com as pernas em borboleta, sentar com as pernas a 90º, para além do nosso trabalho regular, rampa, tábua de equilíbrio...

Continuamos a caminhar...

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Consulta de Ortopedia.

Mais uma consulta, mais uma viagem...

A viagem correu muito bem, com o Afonso sentadinho e tranquilo, apesar de ter estado agitado durante toda a semana.

O prof. gostou imenso de o ver e foi brindado com um sorriso maravilhoso do Afonso, quando lhe pediu para ficar em pé, é indescritível a felicidade que sente com as suas novas e grandes conquistas.

Esteve a observá-lo, colocou-o no chão para ver e filmar o comportamento dele e o Afonso esboçou algumas tentativas de dar uns passinhos.

Mantém a opinião que deve ser operado aos pés com alongamento do tendão de Aquiles, uma vez que coloca os pés de forma incorrecta, primeiro a parte da frente do pé em vez do calcanhar, o que lhe provoca um maior desequilíbrio e maior dificuldade na "marcha".

Para já continuamos com as mesmas indicações de trabalho, fisioterapia, massagens, hidroterapia, electroestimulação. tem que fazer rx aos joelhos e volta à consulta em março, nessa altura logo decidiremos sobre a cirurgia, nós continuamos apostados em conseguir corrigir o alinhamento dos pés sem recorrer à cirurgia e continuamos a trabalhar nesse sentido, brevemente iremos fazer os novos dafos e levar o standing para o jardim de infância, para que comede a estar maiores períodos em pé e a fazer carga. 

O que é paralisia cerebral?

"A criança com Paralisia Cerebral tem uma perturbação do controlo da postura e movimento, como consequência de uma lesão cerebral que atinge o cérebro em período de desenvolvimento.
(...)A criança com Paralisia Cerebral pode ter inteligência normal ou até acima do normal."

Retirado de "A criança com paralisia cerebral" - Guia para os pais e profissionais da saúde e educação APPC
Hoje caminho, o céu está azul, o sol brilha esplendoroso, oiço o chilrear dos passarinhos e o silêncio...
O silêncio no meu coração,
Os momentos, os meus momentos felizes...
Oiço o riso das crianças, cheiro a maresia que vem do mar, caminho descalça pela areia, continuo a sonhar.
Sonho, que o teu limite é o sonho e que o teu caminho, tem tantos obstáculos, uns já vencidos e outros, tantos outros, por vencer...
Dificil, é este nosso caminho mas, sei que embora seja feito devagar, muito devagar, sei que chegaremos ao destino deste nosso caminho que se faz caminhando...

Dina

Sou uma caminhante na estrada do aprendizado do amor. Às vezes, exausta, eu paro um pouquinho. Cuido das dores. Retomo o fôlego. Depois, levanto e seduzida, enternecida pelo chamado, cheia de fé, eu prossigo. Um passo e mais outro e mais outro e mais outro, incontáveis. Sei de cor que não é fácil, mas sei também que é maravilhoso olhar para o caminho percorrido e perceber o quanto a gente já avançou, no nosso ritmo, do nossos jeito, um passo de cada vez.

Ana Jácomo
E Deus continua susurrando: Não desista, o melhor ainda está por vir...
Só existem dois dias no ano que nada pode ser feito. Um se chama ontem e o outro se chama amanhã, portanto hoje é o dia certo para amar, acreditar, fazer e principalmente viver.

Dalai Lama

O amor é um caminho que clareia, progressivamente, à medida em que o percorremos, como se cada passo nosso fizesse descortinar um pouco mais a sua luz.
A jornada é feita de dádivas e alegrias, mas também de imprevistos, embaraços, inabilidades, lições de toda espécie.
De vez em quando, tropeçamos nos trechos mais acidentados. Depois, levantamos e prosseguimos: o chamado do amor é irrecusável para a alma. Desistir dele, para ela, é como desistir de respirar.


Ana Jácomo
Quando eu deixei de olhar tão ansiosamente para o que me faltava e passei a olhar com gentileza para o que eu tinha, descobri que, de verdade, há muito mais a agradecer do que a pedir. Tanto, que às vezes, quando lembro, eu me comovo. Pelo que há, mas também por conseguir ver.

Ana Jácomo
Nem sempre querer é poder, porque às vezes a gente quer, mas ainda não pode. Ainda não consegue realizar.
Não faz mal: a vontade que é legítima, alinhada com a alma, caminha conosco, paciente, fresca, bondosa, até que a gente possa. Às vezes, isso parece muito longe, mas é só o tempo do cultivo. As flores, como algumas vontades, também desabrocham somente quando conseguem


Ana Jácomo
Depois de cada momento de fraqueza, meu coração prepara, em silêncio, uma nova fornada de coragem.
Às vezes cansa, sim, mas combinamos não desistir da força que verdadeiramente nos move.

Ana Jácomo

Todos os direitos reservados