Afonso
terça-feira, 8 de julho de 2008
Cúmplices
Meu abrigo
Deixa voar os sonhos
Deixa acalmar a tormenta
Senta-te um pouco aí
Olha para mim
Fica no meu abrigo
Dorme no meu abraço
E conta comigo
Que eu estarei aqui
Enquanto anoitece
Enquanto escurece
E os brilhos do mundo
Cintilam em nós
Enquanto tu sentes
Que se quebrou tudo
Eu estarei
Sempre que te sentires só
Olha pra mim
Hoje não há batalhas
Hoje não há tristeza
Deixa sair o sol
Olha pra mim
Fica no meu abrigo
Perde-te nos teus sonhos
E conta comigo
Mafalda Veiga
www.mafaldaveiga.pt
segunda-feira, 7 de julho de 2008
Casa vazia
Não sei quantas vezes por dia, lhes chamo a atenção, os separo das briguinhas, os mando calar... Mas, a casa assim vazia...
Claro, que hoje estou com a neura, é silêncio a mais...
Simpático...
sábado, 5 de julho de 2008
Da gaivota
“Quer tocar em uma gaivota?”, perguntou ela, olhando as aves na amurada do píer.
Claro que sim. Mas sempre que me aproximava, elas voavam.
“Procure sentir amor por ela. Depois, faça este amor jorrar do seu peito como um feixe de luz, atingindo o peito da gaivota. E se aproxime com calma”.
Fiz o que ela mandou.
Duas vezes não consegui nada, mas na terceira - como se eu tivesse entrado em transe, consegui tocar a gaivota. Repeti o transe, com o mesmo resultado positivo.
O Lago
Não deves recusar o esforço, porque ele é um caminho.Num lugar que terás de descobrir - que fica sempre alto e longe - existe para ti uma lagoa meio escavada na rocha, com relva muito verde em parte das margens e cantos alegres de pássaros calmos.
Encontram-se lá os que amas, fortes e generosos. Sorridentes.
Há sol e também a sombra de altas árvores. Por cima, apenas o céu, à distância de um último salto.
Não é um destino inevitável, mas um lugar onde és esperado e que podes, ou não, alcançar, conforme a medida do teu desejo. Só quando lá chegares terás alcançado toda a tua envergadura. Só lá te encontrarás contigo mesmo.
Existes para chegar a esse lago. Os teus olhos são capazes de pousar nas suas águas limpas, que reflectem já o céu que lhes há por cima.
Não se pode querer mal aos caminhos que conduzem a lugares assim, embora sejam escarpados e se torne impossível evitar ferimentos e cansaços quando se segue por eles.
Se o teu desejo de chegar for grande, nenhum esforço te parecerá demasiado penoso. E, embora vás a caminho, terás sempre contigo qualquer coisa que é já de ter chegado. Talvez uma certa forma de olhar, resultante daquela luz que se acende por dentro quando nos pomos a caminho dispostos a tudo o que aparecer.
E nem haverá problema se a morte te encontrar assim, ainda no gesto de subir: já tens em ti o teu lago, na imagem dele que te fez partir.
Não deves recusar a dor, porque ela te constrói, te marca os limites e te faz crescer por dentro dos teus muros.
Sem ela, não passarias de um projecto do homem que hás-de ser. Ela edifica-te os músculos, a cabeça e o coração, e não existe outra maneira de chegares a ser aquilo que deves vir a ser.
Se não sofresses não haveria ninguém dentro de ti.
No cumprimento sério dos teus deveres, encontrarás a dor na forma de esforço e de cansaço.
Mas pode muito bem ser que, tarde ou cedo, ela te procure sem disfarces e te faça chorar ou gemer. É frequente que ela se apresente assim, numa nudez que parece cruel e faz lembrar facas ou agulhas.
Nem por isso te deves assustar ou desistir.
Quando te parecer que tudo está perdido, ri-te, se puderes. É que te estão a oferecer um degrau que te deixará incomparavelmente mais acima no caminho. Deves ver nisso o sinal de que - por qualquer razão - é tempo de andares depressa.
Sobretudo, não te queixes. Há assim metamorfoses que parecem aniquilar, mas não passam de formas de fazer surgir a borboleta.
Não te queixes, porque receberás umas asas e cores novas.
O teu lago - de onde de tão perto se pode olhar o céu - tem um preço que tu saberás dar e não é tão grande assim.
Paulo Geraldo
sexta-feira, 4 de julho de 2008
Miminhos de pai


Por volta das 23h, é o pai que continua a dar-lhe o biberão, porque agora, graças a Deus, há cerca de 1 mês que o Afonsinho já não acorda de noite. VIVA!!!!
Tem que se sentar...
Três filhos e só uma mãe, por vezes é difícil e extenuante.
Hoje, tinha várias coisas para fazer ao mesmo tempo, levar a C. ao autocarro (foi para o Algarve), levar o Afonsinho às terapias e levar o G. ao colégio (tinha reunião para entrega do bilhete e programa de Londres). Tive que pedir ajuda. Enquanto fui levar a C. e o Afonsinho, a minha prima deixou o G. no colégio. Depois das terapias fui buscar o G., de seguida fui à nutricionista, enfim hoje, o Afonsinho lanchou o jantar às 19h.
Estou super cansada, só me apetece enfiar na cama, tentar ler um bocadinho e dormir, pois amanhã, às 9h, lá vamos nós, para mais uma sessão de acupunctura.
Esta semana, com tanta gente em casa, as rotinas do Afonsinho foram todas alteradas, mais uma vez não dormiu e isso reflectiu-se na sessão de terapia ocupacional. Não queria estar de barriga para cima, querendo estar constatemente a rolar, sem parar. Esteve também no colchão de água sentado, conseguindo um equilíbrio razoável, um controlo de cabeça oscilante mas, sempre a fazer as recuperações necessárias.
Na terapia da fala, portou-se bastante melhor, e colaborou. Hoje fui eu que coloquei um dos aparelhos vibradores dentro da boca, que aceitou com dificuldade. Depois experimentei eu dentro da minha, realmente não há nada como experimentar, fiquei com vómitos, a vibração é violenta e passado um bom bocado ainda sentia o efeito. Eu sou uma mãe, que sabe que são necessários e por isso aceita, os tratamentos que são propostos para o Afonsinho mas, hoje percebi de uma forma muito real, a verdadeira capacidade de sofrimento deste bebé, a coragem e a determinação com que suporta, DIARIAMENTE, estes tratamentos.
Quando chegámos e após o jantar, ainda tivemos tempo para colocar as talas nas pernas e brincar com o ginásio.
quinta-feira, 3 de julho de 2008
Soninho descansado

Cuba, eis a questão
Um a um

quarta-feira, 2 de julho de 2008
Uma casa cheia

Em movimento
sexta-feira, 27 de junho de 2008
Transmissão de pensamento
Para ajudar na preguiça, fui almoçar com o meu pai. Perguntei-lhe o que era o almoço "carne de vaca estufada com feijão verde e batatas", perfeito, o Afonsinho hoje, e pela primeira vez, almoça também em casa do avô.
O meu pai ficou preocupado e disse que fazia peixinho mas, eu não deixei, almoço igual para todos. Claro, que uma vez mais, fomos surpreendidos o Afonsinho almoçou tudo e ainda comeu metade de uma meloa pequenina. O almoço estava tão bom, que até me esqueci que estava a fazer dieta.
É impossível ir a casa do meu pai sem pensar, de forma intensa, na minha mãe. Assim, contei aos meus filhos algumas histórias da minha família original (pais e irmãos) e disse ao meu pai, "a mãe é que tinha razão, não há comida tão boa como aquela que não é feita por nós". Depois o meu pai disse-me que ontem, o G. tinha ficado aborrecido com ele por causa do queijo. Meus Deus, quantas histórias tenho para contar sobre o queijo, o tão adorado queijo do meu pai? Quantas vezes ouvimos as suas birras, porque comíamos o queijo todo, ou porque só deixávamos a casca? Os meus pais tinham uma relação muito engraçada, quando o meu pai trazia peixe, nesse mesmo dia a mãe tinha ido ao peixe, se fosse fruta, a mesma coisa, eles riam-se e diziam que tinham transmissão de pensamento.
Tempo felizes, muitos felizes...
E com alguma dificuldade no equilíbrio, lá tentou manter-se sentado dentro de um pneu. O irmão deu-lhe apoio e incentivou-o, levando o Afonsinho a conversar com ele.
Clima de tranquilidade

Quem diria, que um dia eu faria tal pedido, de forma optimista e alegre? Mas, também há terapeutas e TERAPEUTAS.
O Afonsinho portou-se de forma ESPECTACULAR. Massagem na cara, na boca, nas mãos, nos pés, dentro da boca, nas bochechas e na língua, não se ouviu o Afonso, a colaboração foi total.
GRANDE AFONSO!!!
Ainda o sentámos na cadeira e só começou a refiliar, quando lhe demos comer. Há uns tempos atrás, começava a chorar mal sentia o rabo tocar na cadeira.
Na fisioterapia fartou-se de rolar da posição dorsal para a ventral e vice-versa, lateral, dorsal, ventral, de joelhos, sentado. Acho que a terapeuta lhe fez tudo, tal era o nível de colaboração do Afonsinho.
No fim da sessão, com o terapeuta ocupacional, introduziram mais uma etapa no trabalho do Afonso. Colocaram o Afonso em frente ao computador, os jogos iam sendo construídos à media que ele ia tocando no aparelho (que não sei o nome) emitindo sons e musica. O Afonsinho mostrou-se empenhado em tocar no aparelho e muito interessado no que acontecia no écran.
Reagiu de forma muito positiva a este teste de estimulação causa/efeito.
quinta-feira, 26 de junho de 2008
Puzzle
quarta-feira, 25 de junho de 2008
Muito bem, bebé!
terça-feira, 24 de junho de 2008
Se eu não te amasse tanto assim
Meu coração, sem direcçãoVoando só por voar
Sem saber onde chegar
Sonhando em te encontrar
E as estrelas,
As estrelas, vão me guiar
Se eu não te amasse tanto assim
Talvez perdesse os sonhos, dentro de mim
E vivesse na escuridão
Se eu não te amasse tanto assim
Talvez não visse flores, por onde eu vim
Dentro do meu coração...
(...)
Canção de Ivete Sangalo
Composição: Paulo Serfgio Valle e Herbert Vianna
YouTube - Ivete Sangalo (Se eu não te amasse tanto assim)
Momentos felizes...
Novos sentidos...
Talvez para compensar o final da semana, que correu menos bem, tivemos um fim-de-semana cheio de novos sentidos...O que é paralisia cerebral?
(...)A criança com Paralisia Cerebral pode ter inteligência normal ou até acima do normal."
Retirado de "A criança com paralisia cerebral" - Guia para os pais e profissionais da saúde e educação APPC
O silêncio no meu coração,
Os momentos, os meus momentos felizes...
Oiço o riso das crianças, cheiro a maresia que vem do mar, caminho descalça pela areia, continuo a sonhar.
Sonho, que o teu limite é o sonho e que o teu caminho, tem tantos obstáculos, uns já vencidos e outros, tantos outros, por vencer...
Dificil, é este nosso caminho mas, sei que embora seja feito devagar, muito devagar, sei que chegaremos ao destino deste nosso caminho que se faz caminhando...
Dina
Ana Jácomo
Dalai Lama
A jornada é feita de dádivas e alegrias, mas também de imprevistos, embaraços, inabilidades, lições de toda espécie.
De vez em quando, tropeçamos nos trechos mais acidentados. Depois, levantamos e prosseguimos: o chamado do amor é irrecusável para a alma. Desistir dele, para ela, é como desistir de respirar.
Ana Jácomo
Ana Jácomo
Não faz mal: a vontade que é legítima, alinhada com a alma, caminha conosco, paciente, fresca, bondosa, até que a gente possa. Às vezes, isso parece muito longe, mas é só o tempo do cultivo. As flores, como algumas vontades, também desabrocham somente quando conseguem
Ana Jácomo
Às vezes cansa, sim, mas combinamos não desistir da força que verdadeiramente nos move.
Ana Jácomo






